um desabafo sincero sobre a tentativa de equilibrar vida profissional, mudança de carreira e tempo de descanso


ontem foi feriado e o que você fez?

eu dormi até tarde, pulei o café da manhã porque decidi tirar toda a manhã pra ler um livro do início ao fim, assisti dois filmes, montei mais um pedaço de um quebra-cabeça que tá ocupando a minha mesa desde janeiro (!!!), passei um tempo fazendo carinho no meu gato, tirei um cochilo gostoso de tarde e fiz cachorro quente pro jantar porque a comida pronta acabou no almoço e deu preguiça de fazer algo mais elaborado.

eu não trabalhei. não limpei a casa. sequer lavei a louça.

só de noite, depois das nove, que eu tomei um banho e resolvi organizar mais um pouco do conteúdo que eu quero trazer pra cá durante o mês de maio, mas de maneira leve, como eu desejo que esse espaço seja.

mas nem sempre foi assim.

eu já senti muita culpa por parar e não fazer nada, especialmente por sentir que eu poderia estar fazendo coisas que me tirariam do ponto A e me levariam ao ponto B em menos tempo, ou tocando projetos pessoais que eu não consigo fazer com frequência por estar trabalhando com “coisas mais importantes” no resto do tempo.

já “adiantei” trabalho no final de semana só pra pegar mais trabalho na segunda-feira, já virei noites pra cumprir prazos impossíveis (ainda faço de vez em quando), já deixei de sair porque estava trabalhando.

em certo nível, eu acredito, entendo (e até aceito) que sacrifícios fazem parte da vida adulta. existem momentos em que precisamos dar mais que 100% do que podemos para alcançar nossos objetivos, especialmente se esse objetivo for largar um emprego por outro que nos satisfaça mais, ou colocar no mundo um projeto que seria impossível terminar se não usasse o final de semana pra dar aquele gás.

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eu tenho vários desses projetos, esse espaço aqui sendo um deles, inclusive.

rola uma culpa de “olha quanto tempo eu perdi” ou “se eu tivesse feito isso tal dia ao invés de descansar, talvez tudo estivesse diferente” e outras variações dessa mesma linha de pensamentos.

só que o descanso também é importante. e é ainda mais necessário nas áreas criativas da vida.

eu me peguei, nos últimos meses, me sentindo cada vez menos conectada com o design - meu trabalho principal - mesmo que esse fosse o momento em que eu mais estivesse trabalhando com ele, justamente porque tudo era… trabalho.

eu não conseguia tempo pra criar pra mim, pra criar sem pressa, pra criar sem precisar agradar o outro ou precisar ser estratégica.

e não só isso.

eu não sei nem dizer quando foi a última vez que eu tive tempo para ler um livro.

fazia meses que eu não saía de casa para ir a lugares que não fosse a casa de algum familiar, à padaria ou ao mercado.

eu me toquei que não tenho nenhum hobby ou passatempo que não envolva telas, e mesmo os que envolvem telas eu não estava exercitando.

a internet (e eu mesma, assumo a culpa) me convenceu que eu teria a vida dos meus sonhos se eu fosse produtiva o suficiente, se me matasse de trabalhar e abdicasse de sonhos, vontade e de experiências pelo bem da pessoa que eu quero ser e de como quero viver no futuro.

só que a vida tá passando. esse ano eu farei 29 anos e eu ainda não vivo a vida que eu quero. em que ponto eu começarei? o que eu tô esperando pra viver hoje do jeito que eu sempre imaginei? quando eu vou poder priorizar o que eu quero experenciar?

descansar e tirar tempo para curtir a minha própria companhia faz parte da minha vida dos sonhos e é só um dos pontos que eu estou deixando, aos poucos, de negligenciar.

mas não é fácil, é um processo contínuo.

o que é importante lembrar:

  1. descansar não é um privilégio que você precisa merecer. é necessário pela sua saúde física e mental, um sinal de respeito com nós mesmas. o nosso cérebro precisa de pausas para respirar, desacelerar, e evitar o esgotamento.

  2. não viemos ao mundo apenas para servir ao outro, você não é uma máquina. precisamos de espaço para fazer o que gostamos, seja sair e ver o mundo lá fora, seja estar com pessoas que você gosta ou mesmo passar o dia inteiro na rede, lendo ou vendo um filme e acessando estímulos de outras maneiras que não trabalhando ou até dormindo pra recuperar as energias.

  3. descansar faz toda a diferença na criatividade e no humor. às vezes você não quer desistir de tudo, só tá estressada, com acúmulo de tarefas e precisa de um dia inteiro (ou mais) pra simplesmente aproveitar o ócio.

ao voltar depois de um descanso, você provavelmente estará mais leve, mais inspirada, mais disposta, e com mais intenção no seu propósito, objetivos, na sua jornada.

sim, eu ainda vou trabalhar em alguns feriados, eu ainda vou virar noites e dormir pouco por precisar entregar algum projeto com prazo apertado ou que eu atrasei.

talvez você também.

mas eu não vou fazer só isso todos os dias. essas exceções não podem fazer parte da minha rotina e nem da sua.

o meu mantra pra esse ano é:

eu não vou sentir culpa de aproveitar um feriado do meu jeito.

eu não vou sentir culpa de me desligar do WhatsApp aos finais de semana.

eu não vou sentir culpa por só responder na segunda de manhã aquela mensagem de uma possível futura cliente que foi enviada numa sexta à noite.

eu ainda preciso trabalhar em não sentir culpa de postar nas minhas próprias redes sociais quando eu sei que tem alguma mensagem importante que eu ainda não li e nem respondi, mas sei que um dia chego lá.