
eu sei, tô indo contra a maré de pessoas que estão querendo te ensinar a criar conteúdo usando o chat GPT (e faturam MUITO com prompts, robôs, cursos e até mesmo mentorias com promessas de criar conteúdo mais rápido e com menos trabalho).
sinceramente, não sou contra a inteligência artificial generativa. tá aí, pronto, me posicionei sobre o assunto.
não vou entrar no mérito do roubo de propriedade intelectual, porque eu vejo, sim, muitos problemas e, na minha visão, precisa haver não apenas uma regulamentação — talvez eu fale mais sobre o que eu penso e teorias acerca desse assunto por aqui no futuro —, como também uma recompensação monetária para todas as pessoas que tiveram seus conteúdos utilizados para alimentar as IA (um sonho praticamente impossível, admito).
mas não acredito que seja possível lutar contra o uso de inteligência artificial — nem mesmo da generativa. e penso que se empresas enormes podem faturar com a ferramenta sem culpa, pequenos empreendedores também deveriam poder.
além da própria OpenIA — dona do chat gpt —, outras bigtechs como Meta, Google, Microsoft, entre outras, têm desenvolvido suas inteligências artificiais generativas e lucrado com elas — e, bem, todos nós seguimos utilizando seus serviços, certo?
mas eu estava aqui na internet desde a era de ouro dos blogs e, por favor, é discrepante a diferença entre um texto bem feito e algo sem vida, emoção ou personalidade fruto de um bololô de referências e “feito” por um robô. e, acredite, no meu trabalho como designer, em 90% das vezes é sempre bem óbvio quando a copy de um conteúdo foi gerada por IA.
geralmente, possuem uma estrutura bem fácil de ser identificada, já recebi zilhões de copies claramente produzidas com o chat, dos mais variados níveis. algumas melhores, outras piores, alguns conteúdos diferentes que usavam frases e sentidos parecidos com o anterior - por terem sido gerados um a partir do outro. e vai desde o autor pequeno e iniciante a empresas de social media com equipe, tá?
sendo bem sincera, eu entendo a tentação do conteúdo “rápido”. juro.
especialmente quando a rede social te premia entregando melhor o seu conteúdo e crescendo sua base quando você posta mais, com mais frequência (e estratégia, tá? não adianta só postar qualquer coisa).
quando eu criei o lifebyleticiak em janeiro, eu tinha planos.
a ideia era criar conteúdo constante, porque começar um perfil do zero é fácil, construir uma audiência para ele é que é o mais difícil.
desde o dia 1 eu sei que será um longo processo de falar com as paredes antes de começar a surgir pessoas interessadas no que eu tenho a dizer por lá e o conteúdo é a base disso.
mas aí a vida veio, entrei em projetos que sugaram todo o meu tempo, energia, vitalidade e força de vontade de fazer e acontecer. eu não tive tempo — ou foco — para sentar e escrever todos os milhares de posts dentro da linha editorial que estabeleci pra cá e cujas ideias estão mofando no meu Notion.
confesso que pensei em pedir pro chat GPT escrever meus conteúdos. ele com certeza seria menos prolixo que eu. mais objetivo com as palavras — até demais. eu editaria antes de postar, é claro.
mas aí eu lembrei do motivo de eu ter querido começar esse espaço. porque se o objetivo era só postar conteúdo a qualquer custo, a ponto de eu aceitar pegar um atalho usando uma ferramenta de inteligência artificial para gerar esse conteúdo no meu lugar, por que criar um perfil usando o meu rosto?
se eu quero falar sobre os meus interesses — mesmo que inicialmente isso aqui seja somente um hobby, algo que me dá prazer de fazer, mas é o início da construção da minha marca pessoal —, é justo comigo mesma e com quem for consumir esse conteúdo que ele não tenha a minha identidade?
imagina como seria se a Taylor Swift não escrevesse as próprias canções...
pode ser que nem todas as suas músicas sejam baseadas 100% em experiências pessoais, afinal ela fez participações em músicas que não necessariamente foram compostas por ela, além de ter escrito canções para outros artistas, mas certamente uns 90% da discografia da loirinha possui esse cunho pessoal que faz com que milhões de pessoas (bilhões?) se identifiquem com o que ela diz, se comovam e entoem aos berros as frases bem construídas de suas letras.
observando mais do que apenas pelo lado artístico, Taylor utilizou sua vivência não apenas para construir o seu império ao contar sua história, mas também para definir e controlar a narrativa.
quando ouvimos todos os 10 minutos de All Too Well e acompanhamos a artista gritando emocionalmente versos como: “and you call me up again just to break me like a promise, so casually cruel in the name of bein' honest”, ou “'cause there we are again when I loved you so, back before you lost the one real thing you've ever known”, não pensamos nem por um minuto em ouvir o outro lado da história. não queremos saber se Jake Gyllenhaal era mesmo esse monstro cruel e insensível que a música pinta e borda ou se a Taylor era mesmo a última bolacha do pacote que o Jake não deu valor.
nós simplesmente sabemos e aceitamos que sim porque toda a construção narrativa da música nos induz a pensar dessa forma.
se o seu conteúdo na internet — assim como as músicas dela —, existe para potencializar a sua forma de pensar, a sua voz, o seu posicionamento ou a sua criatividade, você acha mesmo que um robô seria capaz de contar sua história de vida, amores e dores melhor do que você mesma faria?
e aqui eu não quero demonizar copywriters, de forma alguma e muito pelo contrário. eu acredito que a escrita pode e deve ser praticada, mas isso leva tempo.
então se você pode investir em um profissional - ao invés de um robô - que possui essa experiência de extrair o seu melhor e transformar em narrativas, que te ajude a construir e contar a sua história através dos seus conteúdos, por favor, faça.


uma expert foda em copywriting ou narrativas — eu acompanho a Anaíse Teruel e a Nat Lelis (Nat Who), por exemplo —, que esteja alinhada com a sua história, sua forma de se comunicar e que saiba minimamente suas referências poderá, certamente, fazer um trabalho mais assertivo, com personalidade e com humanidade, e que com certeza conseguirá extrair mais de você e trazer pro seu conteúdo, sendo excelente em trazer qualidade e fazer a sua audiência sentir.
a própria Taylor Swift trabalhou em parceria com vários outros artistas incríveis ao longo de sua carreira, outros compositores e produtores que contribuíram com ideias, frases, melodias, que co-escreveram várias de suas músicas junto com ela e existem muitos registros desses momentos por aí.
mas foi a essência dela que a ajudou a construir a sua marca pessoal. seu estilo. foi com a visão dela que ela conseguiu moldar atitudes e crenças de quem a acompanha, criou o senso de comunidade entre suas fãs de forma intencional e estratégica — afinal, quantos artistas você conhece se venderiam o mesmíssimo produto em versões diferentes apenas mudando a capa ou adicionando um único bônus pra melhorar a oferta e ser mais do que bem sucedida nessa empreitada?
vendas, marketing e criação de conteúdo — e aqui eu incluo arte também — possuem uma conexão: emoção. é preciso despertar sentimentos e tocar nas dores para fazer as pessoas comprarem.
o chat gpt poderia me ajudar a ser mais estratégica se eu o direcionasse da maneira exata que eu gostaria, de fato, mas ele jamais teria a minha essência. ou a minha voz. ou as minhas referências. não seria capaz de referenciar livros, filmes e séries que eu gosto, escrever “bololô” no meio de um texto ou fazer conexões com situações que vivi ou presenciei da mesma forma que eu faria...
eu até poderia contar alguns detalhes da minha vida pra ele, mas quanta coisa ficaria de fora?
e, diferente de grande parte das pessoas que sentem o apelo do uso do chat GPT, eu amo a escrita. e eu sou muito criativa, modéstia à parte, além de ter alguma experiência pela prática de estar na internet e ter criado múltiplos conteúdos ao longo de toda a minha adolescência e vida adulta.
tudo o que eu tenho hoje veio da minha exposição na internet e, essencialmente, de tudo o que criei.
então pra mim, criar conteúdo é mais do que dar check em uma lista de tarefas burocráticas para vender meus livros, infoprodutos ou serviço.
eu entendo quem não tem essa vivência. entendo quem não sabe o que está fazendo, quem se sente perdida, quem não consegue crescer, quem não se vê sendo estratégica. eu entendo quem nem mesmo estaria na internet se não fosse necessário nos dias de hoje.
os gurus do marketing estão por todos os lados dizendo o quanto você precisa ser isso e aquilo, e ainda que eu acredite na estratégia e na intencionalidade, muitas vezes toda a cagação de regra acaba ceifando a vontade da criação, limitando-a em caixas que não fazem sentido pra você.
como falei, é claro que é bom ter objetivos, alguma estratégia de crescimento, de conteúdo, de vendas e saber exatamente onde se quer chegar.
mas, acredito que é possível encarar a criação com leveza, como algo que eu realmente gosto e sou boa em fazer e não como parte burocrática de fazer dinheiro na internet que deve ser delegada para um robô para “economizar tempo”.
prefiro ver a criação como algo que eu aprendo, melhoro e evoluo enquanto pratico.
o chat gpt pode, sim, servir com outros intuitos e propósitos, pra ajudar a organizar ideias, até pra resumir ou sumarizar o seu texto — sem remover a pessoalidade dele.
pra mim, não existe uma boa desculpa para “delargar” o seu conteúdo.
e eu certamente não farei isso com o meu.
por isso, não teremos conteúdos rápidos por aqui.
a minha arte leva tempo pra ser feita e refeita, para que eu possa entregar o meu melhor.
mas um planejamento estratégico de conteúdo tá acontecendo por aqui nos bastidores.
será feito pelas minhas mãos e meu cérebro e na base de muitas horas escrevendo cada linha de todos os conteúdos.
até a próxima.
com carinho,
Letícia K.



0 Comentários